segunda-feira, 19 de outubro de 2009

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A fábula da águia e da galinha


                                                                                                                                                                   Leonardo Boff *


A globalização representa uma etapa nova no processo de cosmogênese e de antropogênese. Temos que entrar nela. Não do jeito que as potências controladoras do mercado mundial querem – mercado competitivo e nada cooperativo –, apenas interessadas em nossas riquezas materiais, reduzindo-nos a meros consumidores. Nós queremos entrar soberanos e conscientes de nossa possível contribuição ecológica, multicultural e espiritual.


Percebe-se desmesurado entusiasmo do atual governo pela globalização. O presidente fala dela sem as nuanças que colocariam em devida luz nossa singularidade. Ele tem capacidade para ser uma voz própria e não o eco da voz dos outros.


Para ele e seus aliados, conto uma história que vem de um pequeno país da África Ocidental, Gana, narrada por um educador popular, James Aggrey, nos inícios deste século, quando se davam os embates pela descolonização. Oxalá os faça pensar.


Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro, a fim de mantê-lo cativo em casa. Conseguiu pegar um filhote de águia. Colocou-o no galinheiro junto às galinhas. Cresceu como uma galinha.


Depois de cinco anos, esse homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista.


Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista: “Esse pássaro aí não é uma galinha. É uma águia”.


De fato”, disse o homem. “’É uma águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é mais águia. É uma galinha como as outras.”


Não”, retrucou o naturalista. “Ela é e será sempre uma águia. Pois tem um coração de águia. Este coração a fará um dia voar às alturas.”


Não”, insistiu o camponês. “Ela virou galinha e jamais voará como águia.”


Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e, desafiando-a, disse: “Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abra suas asas e voe!”.


A águia ficou sentada sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas.


O camponês comentou: “Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!”.


Não”, tornou a insistir o naturalista. “Ela é uma águia. E uma águia sempre será uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã.”


No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa. Sussurrou-lhe: “Águia, já que você é uma águia, abra suas asas e voe!”.


Mas, quando a águia viu lá embaixo as galinhas ciscando o chão, pulou e foi parar junto delas.


O camponês sorriu e voltou à carga: “Eu havia lhe dito, ela virou galinha!”.


Não”, respondeu firmemente o naturalista. “Ela é águia e possui sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar.”


No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia, levaram-na para o alto de uma montanha. O sol estava nascendo e dourava os picos das montanhas.


O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe: “Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!”.


A águia olhou ao redor. Tremia, como se experimentasse nova vida. Mas não voou.


Então, o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, de sorte que seus olhos pudessem se encher de claridade e ganhar as dimensões do vasto horizonte.


Foi quando ela abriu suas potentes asas. Ergueu-se, soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto e a voar cada vez mais alto. Voou. E nunca mais retornou.


Povos da África (e do Brasil)! Nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Mas houve pessoas que nos fizeram pensar como galinhas. E nós ainda pensamos que somos efetivamente galinhas. Mas nós somos águias.


Por isso, irmãos e irmãs, abram as asas e voem. Voem como as águias. Jamais se contentem com os grãos que lhes jogarem aos pés para ciscar.






  • M2U1T1 1 Folha de São Paulo , 6 de abril de 1997.



  • M2U1T1 2 Leonardo Boff é teólogo, professor de Ética na UERJ e escritor.








segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Prefeitura Municipal de Belém
Secretaria Municipal de Educação
Programa de Formação Continuada de Professores – ECOAR


Alfabetização no 1º ano


O Programa de Formação Continuada – ECOAR- na perspectiva de fazer avançar a aprendizagem da leitura-escrita dos alunos, desenvolverá o Projeto Alfabetização no 1ºano envolvendo diretamente os professores da referidas turmas.


Objetivo:
Acompanhar o trabalho do professor de CI1º na perspectiva de construir prática pedagógica para garantir a alfabetização dos alunos até o final do ano.


Eixos:
Didática que leve a aprendizagem;
Avaliação como suporte para condução da atuação no processo de aprendizagem.

Período:
1º semestre: 29 de Janeiro a 30 de junho de 2007
Dias letivos: 103

2º semestre: 01 de agosto a 28 de dezembro de 2007
Público Alvo: Turmas de CI 1º









Metodologia:
O projeto será desenvolvido considerando as seguintes etapas:

1- Elaboração do projeto de acompanhamento pelos componentes do Grupo-Base;

2- Acompanhamento semanal das turmas de C 1º por um componente do Grupo base;

3- Avaliação do progresso sistemático do desempenho dos alunos, será realizada considerando os níveis da psicogênese elaboração de textos na parte da leitura e escrita e conhecimento lógico- matemático, vide anexo.

Níveis da psicogênese:
Pré-silábico
Silábico-alfabético
Alfabético-

Critérios do conhecimento lógico-matemático:
Pré- Numérico- Representa quantidades sem numerais (algarismos), contagem sem registro formal;
Numérico 1 - Representa quantidades e contagem com registro formal;
Numérico 2 - Domina estruturas aditivas, realizando cálculos de adição e subtração. Realiza multiplicações como adição de parcelas iguais;
Numérico 3 – Domina estrutura multiplicativa formal e divisão;

3- Sistematização de mapa individualizado da aprendizagem para garantir diagnóstico atualizado;

4- Nos casos onde o desempenho não for satisfatório o Grupo Base será propositivo oferecendo suporte ao professor fundamentado na metodologia de pesquisa e elaboração. Esse suporte se constitui na proposição de atividades e encaminhamentos pedagógicos que desenvolvam a aprendizagem permanente do professor.

5- A análise do planejamento mensal( vide ficha anexo) do professor será também subsidio para a indicação de intervenções pedagógicas, necessárias ao avanço da aprendizagem dos alunos.

6- Elaboração de compêndio de atividades de vários estilos, com o objetivo de indicar possibilidades didáticas para superar dificuldades dos alunos no processo de aprendizagem da leitura e escrita .

7- Problematização do processo de aprendizagem dos alunos durante encontros com os professores envolvidos no projeto.

8- Registro e das práticas exitosas no processo de alfabetização dos alunos, com prática de valorização do professor.

9- Convocação dos diretores e coordenadores pedagógico para adesão e apoio ao projeto, bem como expandir a metodologia para da aprendizagem no restante da escola.





quinta-feira, 4 de setembro de 2008

aprender com as TIC
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quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Aprendizagem

As reflexões que tenho desenvolvido recentemente estão diretamente relacionadas com a possibilidade de aprender, como se aprende, quais são as situações mais favoráveis a aprendizagem.
Aprendizagem é uma palavra muito utilizada no meu ambiente de trabalho, atuo como professora, ultimamente como formadora de formadores, as discussões giram em torno das aprendizagens dos alunos. Nesse processo, sempre vem a tona a não aprendizagem dos alunos, como uma consequência do processo desenvolvido no ano anterior, o aluno não aprendeu o que tinha de aprender na série anterior, por isso não consegue aprender agora, é sempre preciso um pré- requisito para que aprendizagem aconteça.
Isso permite uma série de questionamentos a cerca de como acontece a aprendizagem, pois será que os alunos são capazes de aprender o que precisam ou a falta do famoso pré-requisito vai condená-los para sempre a condição de não aprendizagem?
Esse espaço é um fórum para o debate , trocas sobre aprendizagem na perspectiva de expor idéias, pensamentos, textos, artigos sobre a possibilidade de aprendizagem como algo possível nas turmas de educação básica da escola pública.